Lista de tácticas de manipulação emocional

 Lista de tácticas de manipulação emocional

Thomas Sullivan

O objetivo das emoções é motivar-nos a agir. Por conseguinte, pode utilizar as emoções se quiser levar alguém a fazer alguma coisa. Nada impulsiona a ação humana como a emoção.

A manipulação emocional significa utilizar as emoções para levar alguém a fazer algo que não é do seu interesse, mas sim do interesse do manipulador.

Há uma linha ténue entre manipulação e influência. Influência significa persuadir alguém a entrar num acordo vantajoso para si. A manipulação é sempre vantajosa para todos. O manipulador ganha e a vítima perde.

A manipulação é sempre intencional, há intenção de prejudicar. Não se pode chamar manipulação se não houver intenção de prejudicar.

Dito isto, muitas vezes, uma pessoa pode não ter consciência de que está a prejudicar os outros. Embora se possa sentir manipulado, a pessoa não tinha qualquer intenção de o prejudicar. Nestes casos, uma comunicação aberta e honesta pode ajudar muito a resolver o conflito.

O objetivo da manipulação emocional

O objetivo da manipulação emocional é a conformidade. O manipulador quer que a vítima cumpra os seus desejos. Não tem qualquer consideração pelos desejos da vítima. Incorre em custos enormes para a vítima.

A obediência é uma consequência natural de uma relação dominante-submissa. A parte dominante faz com que a parte submissa obedeça através do uso de:

  • Intimidação
  • Ataques à autoestima
  • Controlo

Quase todas as tácticas de manipulação emocional que encontrará na secção seguinte utilizam uma ou mais das estratégias acima referidas.

Lista completa de tácticas de manipulação emocional

Eis uma lista exaustiva de tácticas de manipulação emocional, sem qualquer ordem específica:

1. iluminação artificial

O gaslighting consiste em fazer com que a vítima questione a sua realidade subjectiva e a sua sanidade, negando ou minimizando os pensamentos, sentimentos e experiências da vítima.

Por exemplo:

Se a vítima acusar o manipulador de manipulação, este último diz coisas como:

"Isso nunca aconteceu."

"Estás a inventar coisas."

A negação da realidade da vítima ajuda o manipulador a impor a sua versão da realidade, causando uma profunda confusão e frustração na vítima, levando-a a confiar demasiado na versão da realidade do manipulador.

2) Fazer-se de vítima

Fazer-se de vítima ajuda o manipulador a desviar a atenção do sofrimento real da vítima para o seu próprio sofrimento imaginado. Se não for dada atenção à sua manipulação, é improvável que a sua manipulação seja abordada. Desta forma, pode continuar a manipulação sem ser questionado.

3) Isolamento social

Os abusadores e manipuladores são conhecidos por isolar socialmente as suas vítimas, uma vez que os amigos e a família podem rapidamente dar o alarme quando detectam algo de errado na relação.

Ao isolar socialmente as suas vítimas, os manipuladores podem levar a cabo a sua manipulação de forma conveniente.

4. minimização das preocupações

Como já viu, os manipuladores não gostam que a sua manipulação seja questionada, podendo chegar a extremos para negar a sua manipulação.

Veja também: Como ter uma mente aberta?

Se a vítima expressar preocupação com o seu comportamento, o manipulador minimiza essa preocupação.

Numa relação saudável, as pessoas estão dispostas a abordar as preocupações dos outros.

Para minimizar as preocupações legítimas, um manipulador pode dizer algo do género:

"Estás a exagerar."

"Não é nada de especial."

5. humilhação e assédio moral

A humilhação e o bullying são ataques à autoestima destinados a fazer com que as vítimas pensem mal de si próprias. Quando uma pessoa é levada a pensar mal de si própria, é colocada numa posição submissa. Quando alguém é colocado numa posição submissa, é provável que obedeça.

6) Bombardeamento de amor

O manipulador, normalmente um narcisista, bombardeia o seu parceiro com amor, atenção, presentes e elogios.

Uma vez que tenha conseguido seduzir o seu parceiro com o seu ego, o manipulador começa o abuso. Uma relação demasiado rápida pode ser um sinal de love bombing.

7) Projeção

Projeção significa projetar as experiências subjectivas de uma pessoa noutra pessoa. A projeção ajuda a pessoa a não lidar diretamente com o que tem de mau, mas sim indiretamente, utilizando a outra pessoa como uma espécie de ecrã de projeção.

Um manipulador pode sentir-se culpado pelo que está a fazer. Em vez de lidar com a sua própria culpa, pode projectá-la na vítima, dizendo coisas como:

"Estás a manipular-me." (Tentativa de fazer a vítima sentir-se culpada)

O mesmo pode acontecer com outros sentimentos negativos como os ciúmes ("Estás a ser ciumento.") e a culpa ("És responsável por isto.").

8) Violações dos limites

Os manipuladores estão constantemente a testar os limites das suas vítimas. Querem saber o que podem e o que não podem fazer, o que os ajuda a manipular de forma mais eficiente e a evitar reacções adversas.

Se a vítima não mantiver os seus limites de forma assertiva, verá os seus limites serem violados um a um.

9. ampliar e minimizar

O manipulador amplia os erros da vítima enquanto minimiza os seus próprios erros. São ataques à autoestima que fazem com que a vítima se sinta um fracasso.

É claro que não há nada de errado em apontar os erros para que se possa aprender com eles, mas um manipulador emocional exagera esses erros. A sua reação a esses erros é exagerada.

10. desencorajador

O manipulador desencoraja quaisquer tentativas da vítima para construir a sua própria autoestima, o que significa bloquear o seu sucesso, auto-aperfeiçoamento e crescimento pessoal. O manipulador faz o seu melhor para manter a vítima "debaixo" dele.

11) Desvio

Para além de minimizar, negar e rejeitar, o manipulador pode usar a deflexão para desviar a atenção da sua manipulação. Se a vítima levantar a questão da manipulação, o manipulador mudará de assunto e dirá algo não relacionado, como por exemplo

"Está tão quente hoje."

12. tropeçar na culpa

A culpa é uma emoção humana poderosa e um destruidor da autoestima. Ao fazer com que as suas vítimas se sintam culpadas por coisas menores, os manipuladores têm mais probabilidades de obter a sua complacência.

13) Vergonha

A vergonha pode ser muito mais potente do que o sentimento de culpa, porque a primeira ataca a identidade da pessoa. A vergonha é o pior ataque à autoestima que existe. Quando um manipulador envergonha a sua vítima publicamente, tem-na sob o seu controlo.

14) Restrições

Para além de desencorajar, o manipulador pode restringir o sucesso e o crescimento pessoal da vítima, restrições essas que são inadequadas e resultam mais de inseguranças do que de preocupações.

15. objetivação

Objectificação significa tratar uma pessoa como um objeto desprovido de sentimentos, pensamentos ou personalidade. É uma forma de desumanização que é degradante para a vítima.

16. infantilização

Outro ataque à autoestima, a infantilização significa tratar um adulto como um bebé. A ideia é fazer com que a vítima se sinta pequena e impotente, como um bebé. Os comportamentos de infantilização vão desde fazer comentários como "Não sejas tão bebé!" até oferecer ajuda para coisas simples que uma pessoa pode fazer sozinha.

Veja também: Expressões faciais: Nojo e desprezo

17. agressão passiva

Muitas vezes, um manipulador tem de manter a sua manipulação encoberta, porque se o fizer abertamente, pode ser apanhado. A agressão passiva é uma agressão encoberta, em que os danos são causados à vítima sem que esta se aperceba.

Exemplos de agressão passiva incluem comportamentos como:

  • Concordar em fazer algo mas não o fazer
  • Esquecimento deliberado
  • Obstáculos

18) Julgamento

Julgar e criticar são tácticas comuns que os manipuladores usam para baixar a autoestima das suas vítimas. Quando feitas em público, equivalem a envergonhar.

19) Ultimatos

Os ultimatos são ameaças utilizadas pelo manipulador para fazer com que a vítima cumpra as suas obrigações, geralmente sob a forma de

"Se não fizeres X, eu faço [inserir algo ameaçador]."

20. reforços e castigos

Nas relações saudáveis, os reforços e os castigos são utilizados para influenciar o outro, mas também podem ser utilizados para manipular.

Se chatear o seu parceiro e ele não falar consigo, isso é um castigo saudável. Ele está a retirar a ligação para que saiba que está zangado consigo.

Mas se retirarem a ligação para o obrigarem a fazer coisas irracionais, isso é manipulação. Se só o tratarem bem (reforço positivo), quando cumprir as suas exigências irracionais, isso é manipulação.

21. triangulação

Triangulação significa envolver uma terceira pessoa numa disputa entre duas pessoas. O manipulador pode conhecer pessoalmente essa terceira pessoa que está a envolver. Ele sabe que essa terceira pessoa vai tomar o seu partido. É uma forma de encurralar a vítima e mostrar-lhe que está errada, utilizando provas sociais.

22. inflação do crédito e da dívida

A reciprocidade é a base de todas as relações humanas. A mentalidade de "eu coço as tuas costas se tu coçares as minhas" ajudou a nossa espécie a prosperar durante eras.

A reciprocidade tem a ver com uma troca igual e justa. Quando damos X a alguém, esperamos que essa pessoa nos dê X de volta. Não X/2 ou X/4. Se houver um desequilíbrio na reciprocidade, a relação quebra-se.

A inflação de crédito é uma técnica de manipulação utilizada para criar uma perceção de reciprocidade onde não existe nenhuma, ou seja, inflacionar o que fez pela vítima para que esta se sinta obrigada a dar-lhe mais do que está disposta a dar (ganha-perde).

Uma pessoa que inflaciona o crédito dirá algo do género:

"Já fiz tanto por ti." ("Também devias fazer mais por mim.")

A inflação do crédito leva à inflação da dívida: o manipulador leva-o a acreditar que deve muito mais do que realmente deve.

23) Aproveitar-se das inseguranças

Um dos grandes desafios de qualquer relação íntima é a confiança. Quanto mais vulnerável se é, mais confiança se pode desenvolver numa relação. Mas quanto mais se confia em alguém, mais se dá a essa pessoa o poder de quebrar essa confiança.

Quando não se confia em ninguém, não há confiança a quebrar. Pode salvar-se do engano, mas também deita fora o bebé da intimidade com a água do banho da confiança.

Uma das principais tácticas do manipulador é fazer com que a sua vítima confie nele e se aproxime dele, de modo a ter acesso às inseguranças e fraquezas da vítima, das quais se pode aproveitar.

Thomas Sullivan

Jeremy Cruz é um psicólogo experiente e autor dedicado a desvendar as complexidades da mente humana. Apaixonado por compreender as complexidades do comportamento humano, Jeremy esteve ativamente envolvido em pesquisa e prática por mais de uma década. Ele possui um Ph.D. em Psicologia por uma instituição renomada, onde se especializou em psicologia cognitiva e neuropsicologia.Por meio de sua extensa pesquisa, Jeremy desenvolveu uma visão profunda de vários fenômenos psicológicos, incluindo memória, percepção e processos de tomada de decisão. Sua experiência também se estende ao campo da psicopatologia, com foco no diagnóstico e tratamento de transtornos de saúde mental.A paixão de Jeremy por compartilhar conhecimento o levou a criar seu blog, Understanding the Human Mind. Ao selecionar uma vasta gama de recursos de psicologia, ele pretende fornecer aos leitores informações valiosas sobre as complexidades e nuances do comportamento humano. De artigos instigantes a dicas práticas, Jeremy oferece uma plataforma abrangente para quem busca aprimorar sua compreensão da mente humana.Além de seu blog, Jeremy também dedica seu tempo ao ensino de psicologia em uma importante universidade, alimentando as mentes de aspirantes a psicólogos e pesquisadores. Seu estilo de ensino envolvente e desejo autêntico de inspirar os outros fazem dele um professor altamente respeitado e procurado na área.As contribuições de Jeremy para o mundo da psicologia vão além da academia. Ele publicou vários artigos de pesquisa em revistas conceituadas, apresentando suas descobertas em conferências internacionais e contribuindo para o desenvolvimento da disciplina. Com sua forte dedicação ao avanço de nossa compreensão da mente humana, Jeremy Cruz continua a inspirar e educar leitores, aspirantes a psicólogos e colegas pesquisadores em sua jornada para desvendar as complexidades da mente.